quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vídeos da luta contra o aumento da tarifa de ônibus

No vídeo abaixo, ato de panfletagem dentro do terminal central. Os seguranças da empresa tentaram intimidar os manifestantes, mas, amparados na constituição brasileira, exercemos nosso direito à livre manifestação. Confira:



No outro vídeo, entrevista de membro da Frente à Tevê Brasil Esperança sobre o aumento da tarifa de ônibus:

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

É Otávio, não existe corrupção, Ok

Por Valentim, militante da Frente de Luta pelo Transporte Público

No último dia 16, a TV Câmara exibiu um debate em torno da mobilidade urbana no Brasil no programa Participação Popular. No encontro, o sociólogo Diego Lourenço Carvalho, especializado na área de mobilidade, defendeu que o assunto deve ser tratado no âmbito social e não econômico. Já o presidente da Associação Nacional de Empresas de Transporte Urbano (NTU), Otávio Cunha, apresentou alguns argumentos para tentar justificar os constantes aumentos nas tarifas das empresas privadas que prestam o serviço.

Diogo desenvolveu uma tese sobre a mobilidade urbana de Brasília, UnB. Na pesquisa, o autor afirma que, para a realidade da capital, assim como em outras cidades brasileiras, é necessária uma mudança nos paradigmas da mobilidade, onde as políticas priorizem formas sustentáveis de locomoção, como o transporte público coletivo. Além deste debate, durante o programa da TV Câmara, foram apresentadas algumas estatísticas preocupantes sobre o assunto. Uma delas é que, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o preço das passagens está 60% acima da inflação, em decorrência dos serviços e aumentos aplicados desde 1995. O instituto também diz que para cada bebê brasileiro nascido são vendidos cinco carros e que, atualmente, o transporte urbano teve uma queda de 30% no número de passageiros.

É por estes e outros motivos que no último "Desafio Intermodal", realizado em setembro de 2011, em São Paulo, uma bicicleta conseguiu ser mais rápida do que motos, carros e ônibus, dentro de um determinado percurso. A ganância humana é tanta que, mesmo existindo tecnologias extremamente avançadas, estas máquinas perdem para as tradicionais duas rodas não motorizadas. O desejo pelo individualismo no transporte, somado aos constantes ajustes das passagens e a falta de qualidade do serviço prestado pelas empresas privadas, estimula este caos no trânsito marcado por grandes congestionamentos.

Durante o debate da TV Câmara, Otávio Cunha culpou as políticas de gratuidade pelo aumento nas passagens. "...A gratuidade afeta o próprio usuário... O usuário que integral é que abate esta gratuidade...", argumentou Otávio. Entretanto, o próprio Otávio admitiu que há possibilidade dos cálculos que são feitos para definir os valores finais das passagens estejam vulneráveis a cartéis e acordos ilegais feitos entre empresas e prefeituras. "Hoje, isso não existe no Brasil", disse Otávio durante a entrevista para tentar justificar que a ilegalidade não é um problema neste sistema. Então, corrupção não existe no Brasil, é isso mesmo?

Em resumo, as empresas que prestam este serviço raramente apresentam tabelas transparentes, que justifiquem as análises que resultam nos preços das passagens. Em Joinville, por exemplo, não existe, ao menos, um controle da Prefeitura em cima destes cálculos. Não se sabe de verdade quanto é gasto e quanto é arrecadado com o serviço. As secretarias e fundações que tentam regular o transporte urbano estão vulneráveis aos estudos das próprias empresas privadas, que em Joinville (Gidion e Transtusa) atuam sem licitação há mais de 40 anos.

Enquanto não houver transparência e intervenção direta da população na produção de políticas públicas que regulam o meio, não haverá soluções coerentes para a mobilidade urbana brasileira. Infelizmente, a bicicleta não é capaz de suprir a necessidade de todos os usuários. Em um país onde a maioria das cidades não são planejadas, a distância é um problema comum que afasta as populações do acesso à cultura, educação, lazer, entre outros.

A maioria das empresas de transporte urbano do país atuam sem licitação, cobram taxas abusivas e não possuem a mínima preocupação em investir na sociabilidade do transporte. Até mesmo, porque estamos falando de empresas privadas. O dia em que o sistema privado se preocupar com a população e deixar de visar o lucro, não estaremos mais falando do capitalismo e, sim, de um novo sistema de produção.

Fontes:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/em-desafio-bicicleta-faz-percurso-mais-rapido-que-carro-e-moto
http://www.linearclipping.com.br/NTU/m_005_noticia.asp?cd_sistema=201&cd_noticia=2080453

[Memórias das lutas por transporte]

Essa seção do blog NoZarcão tem o objetivo de rememorar as lutas por transporte já ocorridas no Brasil. Vitoriosas ou não, todas mostraram que a população organizada tem força e por isso mesmo devemos refletir sobre elas. Se você tem um relato de uma luta por transporte coletivo que participou, seja em Joinville ou outro lugar, envie para frentedelutajoinville@gmail.com .

Em nossa primeira postagem, cartazes que relembram lutas que conseguiram barrar o aumento de tarifa no Brasil.




quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Relato da panfletagem de quarta-feira (14 de dezembro de 2011)


por Felipe Bello e Maikon K – militantes da Frente de Luta pelo Transporte Público

Não baixe a guarda, a luta não acabou”.

Criolo

A Frente de Luta pelo Transporte Público organizou um cronograma de atividades para barrar o aumento na tarifa do zarcão, que segundo o Prefeito Carlito Merss, por meio dos jornais, passará a custar R$2,70 a partir do dia 02 de Janeiro de 2012. A Prefeitura Municipal de Joinville também anunciou abertura de um processo licitatório para explorar o direito de ir e vir das pessoas. O fato é que o aumento continua acontecendo sem a consulta da população e a abertura de licitação perpetuará a exploração do transporte coletivo nas mãos de empresas que visam o lucro, não os direitos dos (as) usuários (as).

No dia 14 de dezembro de 2011, um grupo de dez militantes realizou um ato informativo dentro do Terminal Urbano Central. É a primeira vez que a Frente promove um ato, mesmo que pequeno, dentro do espaço do Terminal, fato que despertou uma tensão nos (as) militantes, já que é reconhecida a maneira truculenta que as empresas agem nos momentos de gritos contrários a exploração no transporte coletivo. Ao entrarmos no Terminal, passamos a falar no megafone, enquanto os demais membros da Frente distribuíam panfletos informativos. Imediatamente, uma mulher contratada pelas empresas Gidion e Transtusa, nos abordou e disse que nenhum panfleto poderia ser distribuído e que o megafone – que nesse momento era o instrumento de voz dos usuários (as) dos zarcões - não fosse mais utilizado. Argumentamos que o direito de expressão e organização é um direito constitucional, mesmo sabendo que historicamente os direitos burgueses são aplicados de acordo com os interesses dos ricos.

O ato continuou até que quatro homens vestidos de preto tentaram impedir a condução da nossa atividade. Nesse momento, ficou ainda mais evidente o quanto os seguranças estavam a serviço das empresas de transporte coletivo, já que o supervisor de nome Thiago, funcionário da Transtusa, argumentava quais as medidas os seguranças deveriam realizar. Somente um dos seguranças seguia os conselhos do supervisor da Transtusa, pois tentou impedir a fala no megafone, inclusive forçando a ruptura do microfone que conecta o nosso aparelho.

No momento seguinte, todos os seguranças presentes passaram a tentar usar a força contra os (as) militantes da Frente. Felizmente, demonstrações de apoio e incentivo surgiram da população presente no Terminal Central. Não sendo suficientes os gritos da população, as pessoas passaram a filmar, fotografar e foram para cima dos seguranças, demonstrações de apoio que nos motivou ainda mais a continuarmos a ação informativa. A população passou a gritar em coro “Já Basta!”. Também passaram a pressionar o supervisor da Transtusa a realizar a sua função, que no ponto de vista dos (as) usuários (as) presentes, seria cuidar para que os itinerários cumprissem seus horários, e não para que a população deixasse de ter voz.

Uma viatura policial marcou presença no Terminal Central Urbano, mas nada fizeram, já que as nossas ações não excederam as leis burguesas. Aproveitamos a presença policial para relatarmos a truculência realizada pelos seguranças. O fato é que na manhã seguinte do ato, fomos a Delegacia na Rua Marques de Olinda para abertura de Boletim de ocorrência contra a empresa de segurança Leon Master, que foi contratada pelas empresas Gidion e Transtusa. A medida de registrar um boletim de ocorrência serve para nós, um movimento social, como um documento do abuso exercido pelas empresas.

As palavras de apoio, a procura por mais informações de como participar da Frente e do ato programado para a quarta-feira, dia 21 de dezembro, às 18 horas, na Praça da Bandeira, instigaram a Frente a continuar na luta por um transporte público. Pois, ao baixarmos a guarda, as empresas e a PMJ irão explorar e dominar mais do que já estão habituados a fazer.

Em 2011 as nossas vozes gritam já basta de exploração sobre os nossos direitos, já basta de aumentos anuais, já basta de um serviço sem qualidade, já basta de um sistema que não nos permite o direito de ir e vir. Por um transporte coletivo definitivamente público, que permita a população o direito à cidade, já basta!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cartas sobre transporte coletivo, licitação e aumento da tarifa

Mobilidade 1

Odair Pavesi, na carta “Calçadas e terminal” (6/12), está equivocado quando diz que o Ippuj não se importa em mudar a norma vigente, que responsabiliza os particulares pelas calçadas. Assim como está errado em dizer que a equipe do instituto não as utiliza. Também está equivocado o jornalista José António Baço, na crônica “São Pedro não anda de zica” (4/12), ao dizer que o Ippuj só defende o uso de bicicletas porque provavelmente só conhece as da academia. Preconceito do primeiro, que deveria ser o primeiro a evitá-lo. Tentativa de fazer graça do segundo, que demonstra não estar integralmente a par das proposições do instituto.
No Plano Setorial de Mobilidade e Transporte, em elaboração, o instituto está propondo mais investimentos do poder público em passeios e menos em estrutura viária para carros, seguindo a lógica de priorizar pedestres e não veículos. Na licitação do transporte coletivo, propõe-se a integração do modal bicicletas, para trechos curtos, com o ônibus, para trechos mais longos. Exigiremos mais acessibilidade, comunicação de linhas e horários, estudaremos tarifas diferenciadas e tecnologias para atrair mais usuários. Convido ambos a visitarem o instituto. Para que o sr. Odair possa discutir conosco os investimentos em passeios e para que o sr. Baço constate quantos capacetes repousam sobre as mesas da equipe, que usa a bicicleta para deslocamentos diários.

Roberta Noroschny Schiessl, diretora-presidente do Ippuj

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3588071.xml&template=4191.dwt&edition=18521&section=892

Mobilidade

Roberta Schiessl, diretora-presidente do Ippuj (7/12), convida os srs. Odair Pavesi e José António Baço a visitar o instituto, num tom de “venham debater conosco, estamos sempre de portas abertas, somos muito democráticos”, na mesma semana em que o prefeito anuncia o aumento das passagens de ônibus e em que o JEC é campeão da Série C. Isso somado à tática de aumentar a tarifa em período de férias e festas, quando a população está desmobilizada.
A presidente também esquece de falar em sua carta que o Movimento Passe Livre espera um debate público e aberto desde o aumento de 2009. O que vimos desde então? Dois aumentos anunciados e nenhum debate. Agora, um instituto é contratado para elaborar a licitação (o que mostra que o Ippuj não tem equipe qualificada para tal), e promete apresentar em fevereiro de 2012. A pergunta que fica é: a população novamente não será escutada? E se for, será depois de fevereiro, com a licitação já escrita? Sendo assim, o que ela poderá opinar?

André Altmann - Joinville

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3589223.xml&template=4191.dwt&edition=18529&section=892

Mobilidade

Em relação à carta “Mobilidade”, do leitor André Altmann (8/12), a Fundação Ippuj informa que estão previstos dois momentos de audiências públicas, a serem realizadas em fevereiro e março de 2012, para ouvir a comunidade acerca do sistema de transporte coletivo de Joinville. Na primeira audiência, serão coletados subsídios para elaboração do projeto básico do sistema, e a segunda, para apresentação da proposta a ser licitada. Nessas oportunidades, tanto o Movimento Passe Livre, quanto toda a sociedade civil organizada ou não contarão com um debate público e aberto sobre o tema.
O Ippuj dispõe de equipe técnica altamente qualificada para elaboração dos trabalhos. A contratação da consultoria se dá em função da necessidade de contar com o auxílio de empresa que já tenha participado de outros processos licitatórios, uma vez que a licitação do sistema em Joinville é proposta pioneira do prefeito Carlito Merss. A consultoria deverá avaliar inovações tecnológicas, estabelecimento de um novo modelo tarifário, avaliar cenários futuros para o sistema de transporte e sistematizar a documentação que respalda o processo licitatório. Nesse sentido, é obrigação do instituto garantir a lisura dessa licitação, embasando o sistema a ser contratado em dados aferidos com absoluta isenção.
Por fim, esclarece-se que a análise de pedidos de reajuste tarifários do sistema não está entre as atribuições do instituto.

Roberta Noroschny Schiessl, diretora-presidente do Ippuj, Joinville

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3590543.xml&template=4191.dwt&edition=18537&section=892

Mobilidade

Em carta, Roberta Schiessl (9/12), diretora-presidente do Ippuj, informa que serão realizados duas audiências públicas sobre mobilidade, para ouvir a comunidade acerca do sistema de transporte coletivo de Joinville. Como se dois debates no último ano de mandato e às vésperas de uma licitação que pode determinar os rumos do transporte coletivo pelos próximos 25 ou 30 anos pudessem remediar os três anos de omissão do instituto na questão do transporte coletivo. A presidente também exime o Ippuj de culpa pelos aumentos. Se o órgão responsável por organizar o transporte e fazer a licitação não tem nenhuma relação com o aumento da tarifa, o prefeito é o único responsável?

Lucas Axt, Joinville

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3594278.xml&template=4191.dwt&edition=18565&section=892

Calendário de atividades

Confira o calendário de atividades da Frente de Luta pelo Transporte Público (os locais estão indicados com o googlemaps). As atividades são abertas.

Dia

Atividade

Horário e local

15/12, quinta-feira

Panfletagem

18h, arredores do terminal central

16/12, sexta-feira

Panfletagem

18h, arredores do terminal central

17/12, sábado

Panfletagem

18h, arredores do terminal central

18/12, domingo

Oficina de percussão com o Maracatu

15h, Praça dos Suiços

19/12, segunda-feira

Panfletagem

18h, arredores do terminal central

20/12, terça-feira

Panfletagem

18h, arredores do terminal central

21/12/11

Batucaço contra o aumento da tarifa

18h, Praça da Bandeira

28/12, quarta-feira

Reunião da Frente de Luta por Transporte Público

18:30h, a confirmar o local

Participe das atividades! Contribua com a luta contra o aumento da tarifa de ônibus e por um transporte verdadeiramente democrático em Joinville.

Frente de Luta pelo Transporte Público

terça-feira, 13 de dezembro de 2011