quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Vitória da população: Aumento da passagem é barrado em Belém

Na manhã dessa quarta-feira, 23/02, os trabalhadores e a juventude e movimento popular belenenses obtiveram uma grande vitória na luta em defesa do transporte público de qualidade. Pela primeira vez a prefeitura não consegue aplicar junto com o Sindicato das Empresas de Transportes de Belém ($ETRAN$BEL) o aumento no valor da tarifa de ônibus na região metropolitana. Esse ano a proposta dos empresários era que o valor da passagem subisse dos atuais R$ 1,85 para R$ 2,15, um aumento de 16%.

O movimento estudantil da capital paraense vem protagonizando desde o início do ano um conjunto de ações e mobilizações contra esse ataque. Foram feitas diversas colagens de cartazes pelo centro da cidade, feitas também panfletagens e agitações em pontos de grande circulação com o objetivo de dialogar com a população sobre a gravidade do aumento para o bolso dos trabalhadores e da falta de qualidade do transporte coletivo na cidade. No dia 03/02 foi realizado o primeiro ato de rua, onde o resultado do mesmo foi a garantia por parte da prefeitura da realização de audiência pública no dia 23/02.

Apesar da prefeitura ter confirmado presença no dia anterior quando os manifestantes chegaram na audiência o local não estava disponível para que houvesse a mesma. A prefeitura tentou de todas as formas fazer com que ela não ocorresse, alegando não ter a planilha de custos dos empresários e pedindo para remarcar. Os presentes não aceitaram a falta de respeito do prefeito Duciomar Costa e organizaram passeata percorrendo o centro de Belém. Estudantes da UNAMA, de cursinhos, sindicalistas de várias entidades e movimentos populares marcharam até a sede da mesma. Depois de longa reunião ficou acordado pela administração do município que não haverá aumento da passagem de ônibus até a conclusão dos estudos que estão sendo feitos pela Companhia de Transportes de Belém (CTBEL) e que no dia 29/04, haverá audiência pública para se debater a situação do transporte e da tarifa de ônibus.

Essa é uma grande vitória de toda a população contra esse ataque dos empresários de ônibus. O Coletivo Estudantil Vamos à Luta tem sido protagonista desse processo em Belém junto com o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (SINTSEP-PA), o Sindicato dos Rodoviários de Ananindeua e Marituba (SINTRAM) e com o DCE UNAMA. Recentemente construímos um fórum conjunto com outras entidades para fortalecer essa mobilização. A vitória é parcial é preciso que haja muita mobilização até a nova audiência no dia 29/04. Entretanto é um fato inédito que a $ETRAN$BEL junto com a prefeitura não tenham conseguido aumentar a passagem. A CTBEL nunca fez um estudo sobre a situação do transporte. Isso só se deu porque houve mobilização. Parabéns a todos que participaram dessa luta até aqui. Agora é seguir mobilizado, para não deixar que haja nenhum aumento esse ano. Vamos à Luta!

Fonte: Coletivo Estudantil Vamos à luta.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nota da Frente de Luta pelo Transporte Público

Mobilizada desde o final ano passado, a Frente de Luta pelo Transporte Público organizou três manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus. A primeira, na qual compareceram 170 pessoas, ocorreu no dia 6 de janeiro, um dia depois do aumento de 10,87% da tarifa entrar em vigor. A segunda, com 120 pessoas, foi realizada no dia 11 de janeiro. A última aconteceu no dia 19 de janeiro, às 10h, reunindo cerca de 50 pessoas em um horário em que muita gente está trabalhando.

Em que pese a franca tentativa do poder público – cujos interesses estão intimamente ligados às empresas Gidion/Transtusa – de reeditar a tática do ex-prefeito Marco Antônio Tebaldi, de aumentar a tarifa no final ano, a fim de desmobilizar a população, a Frente mostrou que os joinvilenses não engoliriam calados esse aumento. Com três mobilizações, conseguimos demonstrar que o aumento da tarifa não é consenso na cidade de Joinville e consolidamos o debate por um novo modelo de transporte.

Nas lutas contra o aumento promovidas no ano de 2011, a Frente de Luta pelo Transporte Público apresentou uma proposta alternativa ao modelo privado de transporte. Testado historicamente em São Paulo durante 1992 e em Hasselt (cidade no nordeste da Bélgica), a proposta de Tarifa Zero nos transportes consiste em que a tarifa seja subsidiada por grandes empresários, comerciantes e bancos, tirando, da população, o peso de mais uma tarifa.

A proposta de implantar o Tarifa Zero em Joinville é fruto de debates realizados durante o ano de 2010. Dois seminários sobre mobilidade urbana aconteceram – um na Univille e outro no Ielusc – e contaram com a participação de arquitetos, militantes dos movimentos sociais, IPPUJ e também de Lúcio Gregori, o idealizador do projeto Tarifa Zero. As lutas contra o aumento da tarifa são o desdobramento de nossa discussão sobre um transporte verdadeiramente público.

As manifestações do início de 2011 foram apenas um momento da nossa luta geral em torno do transporte. Foram, na verdade, um prelúdio para a campanha Tarifa Zero que iniciamos este ano. Não iremos parar até haver em Joinville um transporte verdadeiramente público, que não seja objeto de lucro para famílias tradicionais da cidade, que sirva à locomoção e não ao lucro. Um transporte assim só é possível com tarifa zero e essa é a nossa luta.


Frente de Luta pelo Transporte Público, 8 de fevereiro de 2011

Reajustes no ônibus e escolas afetam inflação de janeiro

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) constatou que os itens educação e transporte foram os principais responsáveis pelo aumento do Índice do Custo de Vida (ICV) em janeiro. O transporte, em razão do aumento das tarifas do transporte coletivo por todo o Brasil, contribuiu com 3,09%.

Clique aqui e confira o estudo completo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Gráfico do aumento da tarifa de ônibus*

(clique sobre a imagem para lê-la em detalhe)

A Frente de Luta pelo Transporte Pùblico elaborou um gráfico mostrando a evolução do aumento da tarifa de ônibus de 1996 até 2010.

O gráfico demonstra o óbvio, isto é, que a tarifa de ônibus teve um aumento muito superior ao da inflação. Enquanto a inflação no período foi de 162%, a tarifa aumentou 325%, portanto a tarifa aumentou o dobro mais um por cento acima da inflação (163%).

Boa parte das justificativas para se aumentar a tarifa é que o índice inflacionário deve ser recomposto. No entanto, se a tarifa seguisse de fato a inflação seu preço estaria em torno de R$1,57.

Se os salários – em tese – acompanham a inflação, a tarifa de ônibus a ultrapassa em muito, tornando-se um encargo significativo para as famílias brasileiras. Como já postado anteriormente neste blog, o transporte chega a consumir mais de 20% do orçamento dos brasileiros. Desse modo, se pratica uma tarifa antissocial, fazendo do transporte um artigo de luxo e excluindo milhões de pessoas desse serviço (segundo o IBGE, cerca de 37 milhões de pessoas são excluídas do transporte coletivo por não poderem pagar).

A Frente de Luta pelo Transporte Público não lança mão apenas de dados, apontamos também a causa do problema do transporte: o transporte estar sob poder da iniciativa privada, ser um objeto de lucro, um meio de enriquecimento de meia-dúzia de empresários e empobrecimento do grosso da população. É por isso que além de qualquer debate sobre uma tarifa maior ou menor, justa ou injusta, a Frente propõe a revisão completa do atual modelo tarifário e de gestão do transporte – por um transporte fora da iniciativa privada e com participação popular.

O índice utilizado para se medir a inflação é o INPC, que segundo o site do IPEA acompanha a evolução dos preços de “9 grupos: 1. Alimentação e bebidas; 2. Habitação; 3. Artigos de residência; 4. Vestuário; 5. Transportes; 6. Saúde e cuidados pessoais; 7. Despesas pessoais; 8. Educação, leitura e papelaria; 9. Comunicação”.


* Divulgue o gráfico à vontade, mas cite fonte (http://nozarcao.blogspot.com/) e autoria (Frente de Luta pelo Transporte Público).

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Para especialista, aumento segue lógica do negócio

De acordo com Lúcio Gregori, enquanto o transporte for entendido como um negócio, os aumentos de tarifas vão continuar a ocorrer

18/01/2011, por Michelle Amaral, da Redação

Até a primeira quinzena de janeiro foram registrados reajustes nas tarifas dos ônibus municipais em pelo menos quinze grandes cidades brasileiras e há a previsão de que as passagens de seis cidades ainda sejam reajustadas. Em três cidades o aumento ocorreu já no final de 2010.

Das dez maiores regiões metropolitanas pelo menos 6 anunciaram aumento. Mais de 56 milhões de pessoas que vivem nas regiões com grande densidade populacional estão sendo afetadas pelos reajustes das passagens.

O engenheiro Lúcio Gregori, que foi secretário de transportes da cidade de São Paulo entre 1990 e 1992, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina (então no PT), explica que os aumentos das passagens são resultado do modelo de transporte adotado em nosso país. “O transporte é um negócio como qualquer outro e como tal tem que ter as correções dos preços cobrados para corrigir os custos crescentes”, completa.

Na opinião do engenheiro, a única forma de reverter esse quadro é haver uma mudança do pensamento coletivo em que o transporte urbano deixe de ser entendido como um negócio e passe a ser tratado como um direito da população.

“O transporte público tem que ser tratado como um direito, assim como saúde e a educação. Para chegar a um hospital e ser atendido, você precisa do transporte. Para ir à escola, você precisa do transporte”, defende Gregori.

Segundo o ex-secretário de transportes, discutir se o reajuste das tarifas foi justo ou injusto não resolve o problema, porque revela a aceitação do modelo de transporte como um negócio.

Gregori defende que o transporte seja custeado pelo poder público como os demais direitos básicos. Segundo ele, a solução passa pelo seguinte pensamento: a tarifa, num primeiro momento, deve ser subdidiada no máximo percentual possível e, a longo prazo, no seu valor total.

Hoje o subsídio existe em muitas cidades e, mesmo assim, as tarifas continuam a ser cobradas e reajustadas regularmente.

Na cidade de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) além de anunciar um reajuste de 11,11% nas tarifas dos ônibus municipais, que passou a vigorar no dia 5 de janeiro, disse também que o subsídio para o setor deve ficar em torno de R$ 600 milhões. No entanto, no orçamento municipal de 2011, os vereadores governistas autorizaram o Executivo a usar até R$ 743 milhões para bancar as despesas referentes às compensações tarifárias.

Mobilização

Gregori defende que a discussão que deve ser feita pela sociedade não é sobre se é justo ou não o aumento da tarifa. Segundo ele, deve-se discutir a questão da mobilidade urbana no país como um todo e o entendimento que se deve ter em relação ao transporte coletivo. “Enquanto o transporte coletivo for entendido como negócio e não como um direito, essa discussão, se a tarifa é justa ou não, não acabará nunca”, lamenta.

Além disso, o engenheiro aponta como forma de mobilização os protestos de rua, mas explica que a opção em se aplicar os reajustes nessa época do ano, em que grande parte da população está em período de férias, tem um caráter político, justamente porque espera-se pela desmobilização de setores importantes para a luta contra o aumento das passagens, como os estudantes. “A sociedade está mais desmobilizada, é o momento oportuno”, conta.

Desde que foram anunciados os aumentos nas tarifas dos ônibus protestos têm sido realizados em algumas cidades e espera-se que eles ganhem mais força com a volta às aulas, no próximo mês.

Em São Paulo (SP), na última quinta-feira (13), a polícia militar reprimiu duramente uma manifestação realizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), resultando em 30 militantes detidos e 10 feridos. O mesmo ocorreu em João Pessoa (PB), onde dois estudantes acabaram feridos no confronto com a PM. Protestos também têm sido realizados em Salvador (BA), pelo movimento chamado Revolta do Buzu 2011.

Na próxima quinta-feira (20), o MPL de São Paulo realizará mais uma manifestação. O ato contra o aumento das passagens será realizado na Praça do Ciclista, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Consolação, a partir das 17 hs.

Veja na tabela abaixo como ficarão os novos valores das passagens de ônibus:

Cidades com tarifas já reajustadas:

Soma da população afetada: 47. 755 milhões de pessoas, seguindo os dados do IBGE.

CIDADES

Tarifa antiga

Novo valor

Data do reajuste

BAHIA




Salvador

R$ 2,30

R$ 2,50

02/01/11

ESPÍRITO SANTO




Vitória

R$ 2,15

R$ 2,30

03/01/11

MINAS GERAIS




Belo Horizonte (tarifa predominante)

R$ 2,30

R$ 2,45

29/12/10

Poços de Caldas

R$ 2,00

R$ 2,30

15/12/10

PARAÍBA




João Pessoa

R$ 1,90

R$ 2,10

03/01/11

PERNAMBUCO




Recife (tarifa predominante)

R$ 1,85

R$ 2,00

09/01/11

RIO DE JANEIRO




Rio de Janeiro (ônibus intermunicipais)

R$ 2,35

R$ 2,50

02/01/11

RIO GRANDE DO SUL




Pelotas

R$ 2,20

R$ 2,35

12/12/10

Ijuí

R$ 1,90

R$ 2,10

09/01/11

Santa Maria

R$ 2,00

R$ 2,20

26/10/10

SANTA CATARINA




Joinville

R$ 2,30

R$ 2,55

(compra antecipada)

05/01/11


R$ 2,70

R$ 2,90

(compra embarcada)

05/01/11

SÃO PAULO




Campinas

R$ 2,60

R$ 2,85

16/01/11

São Paulo

R$ 2,70

R$ 3,00

05/01/11

Guarulhos

R$ 2,65

R$ 2,90

05/01/11

Santo André

R$ 2,65

R$ 2,90

03/01/11

São Caetano

R$ 2,30

R$ 2,75

01/01/11

Diadema

R$ 2,50

R$ 2,80

01/01/1



Cidades com previsão de reajuste

Soma da população afetada: 8.912 milhões de pessoas, seguindo os dados do IBGE.

CIDADES

Tarifa antiga

Novo valor

AMAZONAS



Manaus

R$ 2,25

A definir

PARANÁ



Curitiba

R$ 2,20

A definir

RIO GRANDE DO NORTE



Natal

R$ 2,00

R$ 2,30

RONDÔNIA



Porto Velho

R$ 2,30

R$ 2,60

SANTA CATARINA



Florianópolis

R$ 2,20 (cartão)

R$ 2,52 (cartão)


R$ 2,95 (dinheiro)

R$ 3,12 (dinheiro)

SERGIPE



Aracaju

R$ 2,10

R$ 2,45

Fonte: Brasil de Fato.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Gasto com transporte é igual a despesa com alimentação, diz Ipea

Em 2010, despesa do brasileiro com este serviço chegou a 20,1%.
Já o gasto com alimentação caiu de 21,1% para 20,2% em 10 anos.


Do G1 SP, com informações da Agência Estado


O Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Mobilidade Urbana, divulgado nesta segunda-feira (24), em São Paulo, mostra que o gasto do brasileiro com transporte público cresceu nos últimos anos e que, atualmente, é praticamente igual a despesa com alimentação.


Em 2000, o gasto com transporte público abocanhava 18,7% das despesas do cidadão, em média. Em 2010, chegou a 20,1%, enquanto a alimentação caiu de 21,1% para 20,2% no mesmo período.


Este dado citado na apresentação do estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi retirado da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o IBGE, entre 2002 e 2003, o brasileiro gastava mensalmente R$ 423,20 com alimentação. Em 2008/2009, a despesa com comida caiu para R$ 421,70. Já com transporte, o gasto médio passou, no mesmo período analisado, de R$ 375,90 para R$ 419,20.


A pesquisa do Ipea ouviu 2.770 pessoas em todos os estados e utilizou a técnica de amostragem por cotas, a fim de garantir proporcionalidade no que diz respeito à população. A margem máxima de erro por região é de 5%.


A pesquisa sobre mobilidade urbana indica que 44,3% da população brasileira tem no transporte público seu principal meio de deslocamento. Na região Sudeste, o percentual chega a 50,7%. Apesar da importância desse tipo de transporte, a quantidade de ônibus em circulação no Brasil cresceu menos, de 2000 a 2010, que a quantidade de veículos particulares.


Atualmente, há um ônibus para cada 427 habitantes, e, em 2000 era um para 649 pessoas. Em relação aos carros, a proporção hoje é de um automóvel para cada 5,2 habitantes, enquanto há dez anos era de 8,5.


Insatisfeitos

Em contrapartida, a qualidade do transporte público foi avaliada como ruim por 19,2% das pessoas pesquisadas e muito ruim por outros 19,8%. O percentual de insatisfeitos, desta forma, atinge 39% da população brasileira. Para 26,1%, o transporte público é bom e para apenas 2,9%, muito bom, em um total de 29%. O transporte público é considerado regular para 31,3% da população.


Na Região Sul estão os mais satisfeitos com o transporte público: 44,9% o consideram bom ou muito bom e 23,5% o acham ruim ou muito ruim. Já na Região Sudeste se encontram as opiniões mais negativas: apenas 24,5% o veem como bom ou muito bom e 45,9% o consideram ruim ou muito ruim - este número é muito próximo ao da Região Norte: 45,8%.


O levantamento mostra também que uma em cada quatro (26,3%) pessoas no país vive em cidades em que não há integração entre meios de transporte. Não usam a integração, apesar de ela existir, 27,5%. Dentre aqueles que a utilizam, 33,2% o fazem trocando de um ônibus para outro. Depois, a mais frequente é a troca de um ônibus para o metrô: 4,9%.


O estudo aponta que, quanto mais escolarizada é a pessoa, mais crítica ela se torna em relação ao transporte público. Ele é bom ou muito bom para 34,9% das pessoas com até a quarta série do ensino fundamental - 22,5% o acham ruim ou muito ruim. Já para quem tem ensino superior incompleto, completo ou pós-graduação, 20,1% o consideram bom ou muito bom e 36,9% o acham ruim ou muito ruim.
Para Marcio Pochmann, presidente do Ipea, o SIPS revela também os contrastes nos tipos de transporte de cada região brasileira. Quase 50% das pessoas que andam de ônibus no país estão na região Sudeste, enquanto 45,5% daqueles que utilizam bicicleta moram na região Nordeste. Da mesma forma, 43,4% dos motociclistas também estão no Nordeste.


“Houve uma mudança de ponto de vista da composição da frota. Em 2000, os automóveis eram 62,7% do total de veículos no Brasil. As motos eram 13,3%. Agora, em 2010, os automóveis são 57,5%, contra 25,2% das motos”, afirmou. “Para cada ônibus novo surgido colocado em circulação nos últimos dez anos, apareceram 52 automóveis”, completou.


Congestionamentos

O estudo traz também dados sobre a quantidade de pessoas afetadas por congestionamentos em cada região do Brasil. No geral, 69% dos cidadãos disseram que enfrentam engarrafamentos nas cidades. Surpreendentemente, 26,2% dos entrevistados da Região Norte afirmaram que enfrentavam congestionamentos mais de uma vez por dia, índice superior ao da Região Sudeste, com 21,6%, e da Sul, com 21,9%. No Brasil, a média é de 20,5%.


“O congestionamento, fator que compromete a ida e vinda dos cidadãos para o trabalho, é percebida com similaridades nas cinco regiões do País, revelando as consequências da qualidade precária dos meios de transportes públicos em conglomerados urbanos”, afirma estudo em sua conclusão.


Pochmann concluiu que a expansão da frota brasileira na última década se deu especialmente por meio de motos e automóveis. “Houve crescimento no transporte coletivo, mas não na mesma proporção. A população tem interesse em usar o transporte público, mas ainda precisa identificá-lo mais com características de rapidez, melhor preço e segurança. Há espaço para ação em matéria de políticas públicas”, disse.


Segurança

O estudo do Ipea aponta que um terço (32,6%) das pessoas se sentem inseguras no meio de transporte que mais utilizam. Raramente se acham seguras 13,6% e nunca se sentem seguras 19%. No entanto, 40% sempre têm confiança no meio de transporte que mais utilizam e 26,9% se acham seguras na maioria das vezes.




Fonte: G1.